Confesso que temos sobrevivido.

Diante das inúmeras lutas da vida, dos problemas que tem nos assolado de uma forma abrupta e violenta, temos o prazer de confessar: estamos sobrevivendo. Entre um desafio e outro, entre uma escolha e outra, entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, o palpável e o imaginário, o real e surreal, temos sobrevivido. Há dias em que a vida se arrasta, não caminha, não flui como deve ser; e nestes dias, nos enchemos de uma grande angústia e tristeza – é a noite nebulosa da existência que nos chega; e em breve, seremos premiados com a aurora da plenitude da vida. Assim são os percalços de nossas vidas. Um Feliz mês de maio para os nossos leitores e leitoras!

Luis Santana.

A lenda da criação. As pernas do embuá. Nota 4g.

Estas coisas sucederam nos dias da criação.

O Senhor criava os bichos da terra, as aves do céu e os peixes do mar. Ambicioso, o embuá apresentou-se diante do Criador, e pediu:
- Senhor, dá-me muitas pernas, quero andar velozmente por toda a parte.

Presente, a cobra censurou a ambição daquele animalzinho feio e asqueroso, e, à sua vez, disse modestamente:
-Eu, Senhor, não quero pernas. Prefiro andar sem elas.

Assim fez o Senhor. Deu incontáveis pernas ao embuá. E nenhuma à cobra. Premiou o desprendimento: a cobra, mesmo sem pés, move-se com extrema velocidade. Castigou a ambição: mesmo com tantos pés, o embuá caminha vagarosamente. (6).

NOTAS:
(6) – Idem, idem.

Hélio Galvão.

Os navios e a vida

Certa vez, um homem sábio foi às docas para observar os navios entrarem e saírem do porto. Percebeu que, quando um navio saía para o alto mar, todas as pessoas no cais festejavam e desejavam boa viagem. Enquanto isso, um outro navio entrou no porto e atracou. De maneira geral, foi ignorado pela multidão.
O sábio dirigiu-se às pessoas, dizendo: – Você estão olhando as coisas ao contrário! Quando um navio parte, não se sabe o que virá pela frente, ou qual será o seu fim. Portanto, na verdade não há motivo para celebrar. Porém quando um navio entra no porto e chega ao lar em segurança, este é um motivo para fazê-los sentir alegria.

A vida é aquela viagem e nós somos o navio. Quando nasce uma criança, festejamos. Quando uma alma volta para casa, pranteamos. Porém se víssemos a vida na terra da mesma maneira que o sábio via o navio, talvez pudéssemos dizer: – O navio terminou sua jornada, enfrentou as tempestades da vida, e finalmente entrou no porto. E agora está seguro em casa.

MENSAGEM: Infelizmente, a multidão das pessoas têm uma visão da vida diferente da visão dos sábios. E Veem a vida na contramão do fluxo da existência.

Saudades…

Eu quero te tomar pela mão e fazer-te sentar ao meu lado. Tenho até um banquinho para ti, pintado em verniz. Sim, Saudade é o teu nome. De vez em quando me visitas, me falas de coisas que se foram; e eu te profetizo sobre as que virão. A tua morada é o passado. A minha é o presente e o futuro. A última é também um filho arredio que sempre desaparece diante de meus olhos, desde o seu nascimento, nunca mais o vi. Só o presente tem me acompanhado e ele tem sido a minha alegria. E por isso mesmo, um pouco saudoso, resolvi dividir contigo meus dissabores. É para ti, este breve poema…

SAUDADES…
Batem-me em enxurradas
A lavar a minha suja alma
Que se enlameou no crepúsculo.
Um beija-flor beija-me
Querendo sorver o meu néctar,
Já seco a fenecer
Por entre os polens enegrecidos da vida.
Eu tenho saudades ou saudades me têm?
Tênue linha a separar a vida da morte,
O bem do mal, o passado do futuro.
Um saudoso bem-te-vi canta todos os dias,
Em gorjeios saltitantes respondidos pela rolinha.
Não ouço mais o sabiá da mata,
Nem o canário em seu mavioso canto.
Apenas um anu olha para a minha tristeza
Postado numa ponta de estaca
Carcomida pelo tempo, é pau-ferro,
A me perguntar se é “um”.
Um barril de lágrimas tenho chorado
Quando vi os jumentos cansados
De tanto subirem e descerem a ladeira
Ao som das chicotadas e dos “anda burro”.
A cacimba já não dá mais água.
Que importa! Ninguém tem mais sede.
Saudades que se foram pelos buracos das paredes,
Pura taipa em piso de barro batido,
Fechado pela porta – palha de coqueiro “virada”.
E do esteio que sustenta a velha cumeeira
Restou apenas uma velha igreja
Que o padre insiste em reformar.
A antiga estrada derrapou no tempo
E se cobriu de asfalto e a poeira
Já não marejam os meus velhos olhos,
Vermelhos de sentir tantas saudades.
Enxurradas me levam,
Lavam-me da pureza que comigo ficou,
Do teu sangue promiscuo
Que até hoje jorra de tua virgindade.
Teu hímen fechou-se,
E te penetrar já não é mais possível
Por aqueles que depois nasceram.
Já não são viris, ejaculam precocemente,
A juventude transviada e devassa
Que apalpam as tuas tetas
Não possuem punhos e braços firmes
Para te conduzirem a um porto seguro.
Eu vi teu Velho Porto, decadente,
A mendigar de mim: saudades do tempo,
O tempo que se foi e não volta mais.
Saudades…Do nascer do sol!

Luís Santana.

Tibau do Sul / RN, 22/02/2014. 19:23 horas.

Fábulas: Os Garotos e as Rãs.

Alguns garotos estavam brincando às margens de uma lagoa, onde vivia uma família de Rãs. Os garotos se divertiam atirando pedras na lagoa, de modo que estas saíssem pulando sobre a superfície da água.
Logo a superfície da lagoa estava repleta de pedras que voavam por todos os lados, e os garotos mal conseguiam se conter de tanta alegria. Mas, para as pobres Rãs dentro da água, a situação era desesperadora, de pavor.

Por fim uma delas, a mais velha e corajosa do grupo, colocou a cabeça para fora da água e rogou: – Por favor, caras crianças, parem com tão cruel brincadeira. Ainda que isso possa ser divertido para vocês, também pode significar a morte para nós!

Moral: É Sempre bom ponderarmos antes, se o motivo de nossa diversão, ou satisfação, não é a causa de males para os outros!

Lições: 1) Se o Bem Estar não for Coletivo, não é Bem Estar; 2) Só devemos considerar nossa satisfação plena, quando também isso compartilhamos com os outros.

Luís em almofadas.

Esta arte se revela de uma forma bem inusitada, onde o nosso amigo Luís Santana transforma as letras em verdadeiras almofadas. De uma fonte qualquer, ele reveste as letras de tecido, criando também um fundo similar para as mesmas. Depois, enche as letras, insuflando-as de modo que pareçam “fofas”, visivelmente “almofadadas”. Uma verdadeira arte no Photoshop CS5, e para criar mais realismo, as letras receberam um contorno bordado muito bonito, como se fora um “bico” de cetim esverdeado; e por fim, deu às mesmas um fundo sombreado em um cinza claro e suave. Vamos ver com mais detalhes a arte, postada abaixo:

Até a próxima postagem.

Pitanga.

Quando criança, eu sempre ia a casa de Dona Júlia, esposa de seu Tonico, comer pitangas. Deliciosa fruta, de sabor azedo adocicado, com forte perfume. O seu formato em sulcos também me impressionava. Era uma festa. Uma maravilhosa tarde, onde me sentava debaixo da pitangueira e ia colhendo fruto a fruto, até onde a mão dava, e os olhos alcançavam. Um banquete que só terminava quando eu estava totalmente saciado. Dona Júlia me deixava à vontade e eu, é claro, fazia a farra. Hoje, não tenho conhecimento se ainda há pitangueiras em nossos quintais. E para não deixar no esquecimento, sem registros, decidimos fazer esta postagem.

A sua classificação científica é a seguinte: Reino:Plantae. Divisão: Magnoliophyta. Classe: Magnoliopsida. Ordem: Myrtales. Família: Myrtaceae. Género: Eugenia. Espécie: E. uniflora. Nome binomial: Eugenia uniflora L. 1753. O seu nome comum é: pitanga, pitangueira, pitanga-vremelha, pitangueira- comum. A pitangueira é uma árvore ou arbusto frutífero e ornamental, nativo da mata atlântica e conhecido principalmente pelos frutos doces e perfumados que fazem parte da cultura dos brasileiros. O nome “pitanga” é de origem tupi e significa vermelho-rubro, uma alusão à cor dos frutos maduros.

O porte pode ser arbustivo, entre 2 a 4 metros de altura, ou arbóreo, chegando nestes casos entre 6 e 12 metros. A copa é densa e arredondada. O florescimento é errático, e pode ocorrer duas ou mais vezes ao ano, dependendo na maioria das vezes do clima da região de plantio e da variedade da planta. As flores são pequenas, hermafroditas, brancas, perfumadas, com longos estames e muito melíferas, atraindo abelhas. As folhas são opostas, simples, ovais, acuminadas, glabras, avermelhadas quando jovens, e que gradativamente vão tomando a cor verde.

Os frutos são bagas globosas, deprimidas nos polos, com sulcos longitudinais e quando maduros ficam de cor vermelha, vinho e até mesmo negra, de acordo com a variedade. A polpa é macia, suculenta e vermelha, recoberta por uma casca muito fina e delicada. Carrega entre 1 a 3 sementes grandes. No Brasil não há uma grande diferenciação de variedades, mas temos o maior banco de germoplasma da espécies e algumas cultivares importantes desdenvolvidas no IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária). Já no exterior, para onde a pitangueira foi amplamente difundida, houve uma preocupação maior em selecionar as melhores plantas e desenvolver novas cultivares.

A pitanga é consumida geralmente ao natural. Seu sabor é doce, ácido, pungente e com aroma muito característico. Ela também é muito nutritiva, sendo rica em vitaminas e minerais. Além de haver poucos produtores, ela é uma fruta frágil e de baixa durabilidade, por este motivo dificilmente é encontrada nas gôndolas dos supermercados. É mais fácil encontrar produtos artesanais de pitanga em mercados regionais, como licores, cachaças aromatizadas, geléias e vinhos. No entanto, é crescente a produção industrial de polpas, sucos e picolés preparados à base de pitanga.

É também usada como árvore ornamental em áreas urbanas de cidades brasileiras, na recuperação de áreas degradadas de sistemas agroflorestais multiestrato e em reflorestamentos heterogêneos. As pitangueiras com frutos são um ótimo atrativo para pássaros e animais silvestres em geral. Além de ser usada na medicina popular para tratar cefaleia. Até a próxima postagem.

Estudos Bíblicos1 (EB1): Os três campos de batalha.

Eis abaixo, os três campos de batalha que se apresentam na luta espiritual do cristão:
A – Fortaleza na Mente.
B – Fortaleza no Templo.
C – Fortalezas nas Regiões Celestiais.
Observações:
1 – Toda “libertação bem sucedida” deve começar por “remover” primeiro o que protege o “inimigo” (escudo maligno – “o medo”).
2 – Antes de reinvidicar a “vitória” essas Fortalezas precisam ser destruídas e a “armadura” do inimigo ser removida.
3 – Assim, “as armas” poderosas da “Palavra de Deus” e do “Espírito Santo” podem saquear com eficácia as Fortalezas do inimigo.
Atenção:
O que são Fortalezas? Fortalezas na mente são as “atitudes erradas” que protegem e defendem a “velha vida”.
Observação:
4 – Fortalezas que freqüentemente se transformam em “residências fortificadas” de opressão demoníaca na vida de “um indivíduo”.
Deus abençoe!

Luís Santana / Edmilson Vieira.

Quanto custa a passagem de Sibaúma para Goianinha?

Tibau do Sul, 7 horas da manhã, segunda-feira, dia 7 de abril. Apanho a Van com destino a Goianinha. Sento-me ao lado de um cidadão, de cor negra. Magro, nariz chato, aparentando de 32 a 35 anos, com mais ou menos 1,60 m de altura, olhos e cabelos negros. Olhos inquietos, observadores. Dou bom dia e nenhuma resposta recebo. A van parte, e ele olha a paisagem pela janela.

O cobrador se aproxima, pago a minha passagem. O mesmo lhe pergunta: – Sibaúma para Goianinha? Ele responde com a cabeça que sim. E paga a passagem. Ao receber o troco, indago-o: – Quanto custa a passagem de Sibaúma para Goianinha? Ele me olha nos olhos, um olhar frio e desconfiado, pressiona os lábios um contra o outro, mas nada responde. Pergunto-lhe novamente, e nenhuma resposta ouço. Desta vez, olha-me como se estivesse irritado e quisesse me falar: “me deixe em paz!”

Fecha-se em seu silencio. Prefere observar a paisagem lá fora. O seu comportamento conduz-me à comunidade de Sibaúma. Eis aí um verdadeiro sibaumense. Ressabiado, fechado ao mundo, embora o tenha acesso. Uma Sibaúma que se encontra dividida. De um lado, quer manter as suas tradições e a sua cultura, o seu acervo de sabedoria ancestral, a sua identidade Afro. E por outro lado, quer se abrir ao mundo como fez Pipa. Quer ser “moderna”, jovem e atraente; mas, teme ser oprimida, explorada pela força do Capitalismo. Não quer sofrer aculturação.

E então prefere o caminho da prudência: fechar-se e ver ao redor o que será a melhor opção. Ao meu lado, seu filho nativo – suas características o identificam, prefere o silêncio e mudo analisa tudo: quem sobe e quem desce da Van, qual o motivo da mesma ter parado; e assim vai vendo a vida, em preto e branco como a sua comunidade. Preto – quer preservar os seus laços culturais com os ancestrais. Branco – abrir-se ao mundo e a sua diversidade.

Verifico que ele não tem necessidade de falar, mas apenas de ver como o mundo se move ao seu redor. É um mundo cheio de ciladas, de paradoxos, de contradições; na verdade, não confiável. Gostaria muito de arrancar-lhe algumas palavras. Quem sabe um diálogo? Por menor que fosse. Porém, vejo-o irredutível. Então, desisto deste intuito de fazê-lo falar. E converso comigo mesmo, reflito sobre Sibaúma e torço para que ela um dia faça uma boa escolha. Escolha que só o tempo dirá se foi realmente a decisão mais acertada.

Sigo meu caminho sem a resposta do custo da passagem. Na verdade, poderia tê-la, pois tenho a certeza que ao indagar ao cobrador ele prontamente me responderia. Mas, eu queria arrancar daquele nativo sibaumense uma resposta – uma porta aberta para o diálogo! No entanto, tal como Sibaúma, ele encouraçou-se, encastelou-se, voltou-se para si mesmo – introspectivo e mudo, sem nenhuma chance de uma pequena prosa. Já não me interessa saber quanto custa a passagem de Sibaúma para Goianinha. O que mais anseio agora é que Sibaúma fale! Que se mostre para o mundo como ela é, sem medo de ser Feliz!

Luís Santana.

A Sociedade e os Valores.

Como nós percebemos os valores? Por que temos a tendência de dar mais valor a um animal do que a um pedaço de pau? Qual é a faculdade com a qual damos valores a coisas? Será o sentimento, a intuição ou ambas? Parece haver um pouco de sentimento e de intuição para que possamos dar valor ou fazer alguma estimativa. A capacidade valorativa que temos se dá pela estimativa. O valor é objeto próprio da estimativa, assim como a cor é da visão, o sabor do gosto, a verdade do conhecimento, o bem da vontade, a beleza da admiração. Nesse aspecto o homem é educável e cultivável, pois ele nasce como um projeto aberto e não como uma obra pronta. Por isso ele tem de ser educado também para saber cultivar valores.

Por ser naturalmente dotado dessa capacidade, o homem precisa ser educado para saber fazer bom uso de tais sentimentos ou intuições. Mas, será necessária uma educação para os valores vitais, aqueles essenciais à vida, como o ar, a água e o pão? A valoração para estes é instintiva, a qual é determinada pelo instinto de sobrevivência, pois não é necessário ser educado para respirar, sentir sede e fome. E, para os valores culturais e espirituais? Será que o homem necessita ser educado? Para estes parece haver também um impulso instintivo ou empático.

Assim, o homem nasce com uma espécie de apreço instintivo pela verdade, bondade, justiça, solidariedade, amor, castidade, etc. Mas, sem o cultivo adequado, tal impulso facilmente se enfraquece e se perde. Os atletas praticam exercícios para o aperfeiçoamento e fortalecimento físico, de igual modo devemos praticar o cultivo de valores que visem um bom convívio social. É fácil perceber a falta de prática de valores autênticos em nossa sociedade. O que há de fato é uma inversão de valores para os quais, sábio não é aquele que ensina, mas aquele que engana; a verdade não é a que aparece, mas a que está oculta; a justiça só e feita para quem ganha; a solidariedade é uma via de mão dupla, na qual se espera que a via de volta seja recheada de vantagens.

Portanto, para que possamos viver numa sociedade de modo sereno, necessitamos exercitar o cultivo de valores autênticos e perenes. A falta de educação para estes tipos de valores provocou um vazio nas consciências da juventude de ontem e de hoje. Por isso, buscam refúgios em paraísos fictícios como drogas, terrorismos, delírios em shows da moda, etc. O pensamento gera palavras, palavras provocam ação, a ação cria o hábito e este pode traçar o destino. Um desejo exagerado é um inversor de valor: para conseguir o que quero não importa os meios para alcançá-lo. Tudo está à venda e em liquidação. Temos oferta de votos nas eleições, compra de amizade com promessa de amor, leilão de virgindade, oferta de produtos que te faz sentir um brother ou uma sister e mais ofertas de tantos outros produtos da moda. Não importa para que, o importante é ter para fazer aparecer.

Assim, a sociedade carente de valores que contribuem para o seu fortalecimento vai sobrevivendo a investidas cada vez mais agressivas e promotoras de falsa riqueza. Aquele tipo de “riqueza” que faz sentir a necessidade de possuí-la para sobreviver, como se fosse o alimento de cada dia. Afinal, o que é mais necessário para se viver bem?

Francisco Canindé Rosa

BIBLIOGRAFIA:
Mondin, Battista. Introdução à filosofia, sistemas, autores, obras. 12ª ed. São Paulo: Paulus, 1980.